O que você sabe de verdade sobre o HPV?
Esta infecção ainda é cercada de dúvidas, medo e desinformação
Você provavelmente já ouviu falar no HPV. Talvez durante uma consulta ginecológica, numa conversa com amigos ou numa campanha de vacinação. Mas será que você sabe o que ele realmente é, e o que ele pode ou não causar?
O Papilomavírus Humano é a IST (infecção sexualmente transmissível) mais frequente no mundo. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com algum tipo de HPV ao longo da vida. E, na maior parte dos casos, sem sequer saber.
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O que é o HPV?
O HPV é um vírus que atinge pele e mucosas, transmitido principalmente por contato sexual.
Logo, a transmissão acontece pelo contato íntimo direto entre pele e mucosas principalmente durante relações sexuais. Uma pessoa pode transmitir o vírus mesmo sem apresentar sintomas visíveis.
O preservativo, reduz significativamente o risco de transmissão, mas não elimina completamente pois o vírus pode infectar áreas não cobertas pela camisinha. Por isso, a vacina continua sendo indispensável.
Além disso, em casos raros, a transmissão pode ocorrer da mãe para o filho durante o parto, podendo causar papilomatose respiratória no bebê.
Existem mais de 200 tipos diferentes, classificados em dois grandes grupos:
Tipos de baixo risco
- Causam verrugas genitais benignas (condilomas)
- Principais: tipos 6 e 11
- Geralmente não evoluem para câncer
- Podem ser tratados com procedimentos simples
Tipos de alto risco (oncogênicos)
- Associados a cânceres cervical, anal, peniano e de orofaringe
- Principais: tipos 16 e 18
- Podem permanecer latentes por anos
- Detecção precoce é essencial
Sinais e sintomas: como identificar?
A maioria das infecções por HPV não apresenta sintomas. Desse modo, o vírus pode ficar latente por meses ou anos, e muitas pessoas nunca chegam a desenvolver manifestações visíveis. Quando há sinais, os mais comuns são:
- Verrugas genitais (condilomas): pequenas elevações na pele da região genital ou anal, geralmente indolores. Em mulheres: vulva, vagina ou colo do útero. Em homens: pênis, glande ou escroto.
- Lesões subclínicas: só detectáveis em exame ginecológico ou urológico. Podem existir células alteradas no colo do útero sem nenhum sinal externo.
- Lesões orais e de garganta: são mais raras. Os tipos de alto risco podem infectar a região bucal e faringe, especialmente associados ao câncer de orofaringe.
Procure atendimento médico se notar, por exemplo, verrugas genitais, feridas recorrentes na genitália, sangramento vaginal fora do ciclo menstrual ou qualquer resultado alterado em exames de rotina.
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Os 3 pilares para a prevenção
1. Vacinação
A vacina contra HPV é a forma mais eficaz de prevenção disponível. No Brasil, o SUS oferece gratuitamente a vacina quadrivalente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Na rede privada, há três opções:
HPV2 – Bivalente
Tipos 16 e 18
Foco em prevenção de câncer cervical. 2 doses (9–14 anos).
HPV4 – Quadrivalente
Tipos 6, 11, 16 e 18
Disponível no SUS. 1 dose pelo SUS (9–14 anos).
HPV9 – Nonavalente
9 tipos (cobre 90% dos cânceres cervicais)
Rede privada. 2 doses (9–19 anos) ou 3 doses (20+).
A vacina é feita de partículas virais sem DNA, não causa infecção e não provoca câncer. Dessa forma, sua segurança é comprovada por ampla vigilância sanitária internacional. Vacinar não incentiva atividade sexual precoce: nenhum estudo comprova essa relação.
2. Uso de preservativos
A camisinha (masculina ou feminina) reduz consideravelmente o risco de transmissão do HPV e de outras ISTs. Portanto, deve ser usada em todas as relações sexuais, vaginal, anal e oral.
3. Rastreamento regular
Quem tem colo do útero deve fazer Papanicolau ou teste de HPV-DNA conforme as recomendações de faixa etária. Assim, detectar alterações precocemente permite tratá-las antes que evoluam para câncer.